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Por Pe. Fidelis Stockl, orc
Mãe de Misericórdia
Maria proclama a Misericórdia de Deus no Magnificat, Maria louva a Deus como aquele que tem misericórdia de nós:
“A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem”;
“Acolheu Israel seu servo, lembrado da sua misericórdia” (Lc 1,50.54).
Como se manifesta a misericórdia de Deus? Porque Deus é amor, Ele se revela a nós, pecadores, como um Deus misericordioso. Ele é “misericordioso”, ou seja, tem compaixão pela necessidade e pela miséria do pecador. Ele não deseja a sua morte, mas que ele se converta e viva. Nenhum pecado do homem é capaz de extinguir a misericórdia de Deus, nem de impedi-la de derramar todo o seu poder vitorioso, assim que a imploramos.
Como Mãe da Divina Misericórdia, Maria tem a missão de manifestar a infinita misericórdia de Deus à Igreja e ao mundo por meio de seu amor maternal. Não é justamente a mãe que possui uma especial capacidade de compaixão, que torna mais fácil aos pecadores aceitar o amor misericordioso de Deus por parte de uma mãe?
Máximo, o Confessor (+ 662), diz a respeito dos últimos anos de vida de Maria:
“Sua misericórdia não se dirigia apenas a parentes e conhecidos, mas também a estranhos e inimigos, pois ela era verdadeiramente a Mãe da Misericórdia e a Mãe do Misericordioso, […] a Mãe daquele que se encarnou por nós e foi crucificado para derramar sua misericórdia sobre nós.”
Teófano de Niceia (+ 1381) escreve sobre Maria:
“Ela é, de fato e sem qualquer dúvida, a misericórdia divina, pois está repleta de bondade, misericórdia e amor eternos. Ela é o vaso capaz de conter toda essa bondade em sua plenitude, pois é o âmago da misericórdia divina”.
Maria, refúgio dos pecadores
Como Mãe da Divina Misericórdia, Maria é também o refúgio dos pecadores. Assim rezamos na Ave-Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores…” Uma oração do século XI diz:
“Santa Maria, a mais misericordiosa de todas as criaturas misericordiosas, a mais santa entre todos os santos, rogai por nós. Que Aquele que de ti nasceu, e que agora reina nos céus, atenda às nossas preces por ti, ó Virgem bendita: que o seu amor misericordioso apague os nossos pecados”.
Mesmo que Maria não tenha conhecido o pecado, ela é capaz de compreender nossa fraqueza. Ela nos ama com amor maternal e intercede por nós junto a seu Filho. Ela mostra a nós pecadores o amor misericordioso de Deus, que pode transformar até mesmo a “ovelha mais negra” em um santo: “Ainda que os teus pecados sejam vermelhos como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve” (Is 1,18).
Se os confessionários das igrejas, especialmente nos tantos lugares marianos de peregrinação, pudessem falar, certamente proclamariam em voz alta: Maria é a luz brilhante da graça de Deus na noite escura do pecado do mundo. Maria é, na verdade, o refúgio dos pecadores. Ela é uma Mãe que nos aproxima da misericórdia divina e a obtém para nós.
“No céu haverá mais alegria por um único pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de se converter” (cf. Lc 15,4-6). Quem pode dizer que está sem pecado e que não precisa da misericórdia de Deus? Provavelmente ninguém. E assim precisamos, mais do que nunca, da experiência consoladora da misericórdia divina. Temos de aprender a dizer a Deus com a confiança e a simplicidade de uma criança:
“Jesus, confio na tua misericórdia divina!”
Mãe da Misericórdia que nos conduz a Jesus
Em uma das orações mais queridas ao povo cristão, a Salve-Rainha, denominamos Maria “Mãe da misericórdia”. Ela experimentou a Misericórdia Divina, acolhendo, no seu ventre, a própria fonte desta misericórdia: Jesus Cristo. Ela, que sempre viveu intimamente unida ao seu Filho, sabe melhor do que ninguém o que Ele deseja: que todos os homens se salvem, que a ninguém jamais faltem a ternura e a consolação de Deus. Que Maria, Mãe da misericórdia, nos ajude a compreender o quanto Deus nos ama, e que ela seja o colo materno que nos conduz a Jesus.
Em Guadalupe, Nossa Senhora disse a São João Diego: “Por que tens medo? Não estou porventura aqui eu, que sou a tua Mãe?”. Ela é nossa querida Mãe que está próxima dos seus filhos. Caminha ao nosso lado, mostra-nos o caminho do amor, levanta-nos quando caímos — e com quanta ternura o faz! — sustenta-nos nas nossas dificuldades e acompanha-nos em todas as circunstâncias da nossa vida.
“Volta para nós os teus olhos misericordiosos”
Em seu comentário sobre a Salve Regina, São Afonso Maria de Ligório (+ 1787), referindo-se à invocação “volta para nós os teus olhos misericordiosos”, diz:
“Os olhos de Maria são os olhos de uma mãe, e uma mãe olha para o seu filho não apenas para que ele não caia, mas também para levantá-lo novamente depois que ele caiu”.
Em sua última visita à Polônia, São João Paulo II disse em Kalwaria Zebrzydowska, o santuário mariano nas proximidades de Cracóvia por ele tão amado:
“Quantas vezes experimentei que a Mãe do Filho de Deus volta seus olhos misericordiosos para as preocupações do homem aflito e lhe alcança a graça de resolver problemas difíceis, e que este, consciente da pequenez de suas próprias forças, fica cheio de admiração diante da força e da sabedoria da Divina Providência” (Homilia de 19 de agosto de 2002).
Oração a Mãe da Misericórdia
Assim, juntamente com São João Paulo II, o grande anunciador da misericórdia de Deus, dirijamo-nos a Maria, nossa querida Mãe, pedindo-lhe:
Maria, Mãe da Misericórdia, Tu conheces como ninguém o coração do teu Divino Filho. Inspira-nos, em relação a Jesus, a confiança filial vivida pelos santos, aquela confiança que animou Santa Faustina Kowalska, a grande discípula da Divina Misericórdia. Olha com amor para as nossas necessidades.
Ó Mãe, livra-nos das tentações da autossuficiência e da desesperança, e alcança-nos a plenitude da divina misericórdia, que nos salva.
Amém.








