A misericórdia que vence a morte se revela plenamente quando Jesus vem ao mundo, assumindo nossa natureza para resgatar-nos da escravidão do pecado, do sofrimento e da morte eterna. Fazendo-se homem, Ele estava em condições de salvar o homem. Mas em que consiste essa salvação?
Tempo estimado de leitura: 4 minutos
Por professor Felipe Aquino
O mistério da fé e a salvação em Cristo
Jesus veio ao mundo assumindo nossa natureza para resgatar-nos da escravidão do pecado, do sofrimento e da morte eterna. A misericórdia que vence a morte se manifesta plenamente em Sua encarnação. Fazendo-se homem, Ele estava em condições de salvar o homem. Mas em que consiste essa salvação?
Este é o “mistério da fé” que muitos não entendem bem e, por isso, não podem celebrar com entusiasmo as riquezas de nossas celebrações litúrgicas, especialmente a Santa Missa e as celebrações do tempo pascal.
O pecado e a entrada da morte no mundo
A Tradição e o Magistério da Igreja nos asseguram que o homem foi criado por Deus, por amor, para ser plenamente feliz n’Ele (cf. Cat §1). Mas, com o pecado original — pecado de desobediência e de soberba —, o homem perdeu a vida divina e os dons preternaturais, principalmente a imortalidade e a impassibilidade, isto é, não sofrer.
Com o pecado, que não estava nos planos de Deus, entraram na vida do homem o sofrimento e a morte. São Paulo disse que: “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23) e que “o pecado entrou no mundo, e, pelo pecado, a morte; assim, a morte passou a todos os homens” (Rom 5,12).
O Catecismo da Igreja diz no § 397: “O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador (Gn 3,1-11) e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus.”
São Leão Magno dizia: “Gloriava-se o demônio porque o homem, enganado por seu ardil, estava privado dos dons divinos e, despojado da imortalidade, encontrava-se sujeito a uma dura sentença de morte; assim, tendo um companheiro de prevaricação, encontrava algum alívio em seus males (…).”
A justiça divina e a necessidade de redenção
Os pecados de cada homem e de toda a humanidade ferem a Majestade infinita de Deus; então, não bastava uma reparação de valor humano e finito para reparar a Justiça Divina.
Não havia um homem sequer que pudesse oferecer à Justiça Divina uma reparação suficiente (cf. Cat. n. 616). Então, o Filho de Deus se fez homem, ofereceu-se ao Pai para reparar, diante da Justiça Divina, todo o pecado da humanidade.
A Carta aos Hebreus explica isso (Hb 10,5-12): “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: ‘Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’”. Então, Ele veio como homem, sem deixar de ser Deus, para oferecer o preço de valor infinito de Sua vida, para nos resgatar das mãos do demônio.
O sacrifício de Cristo: amor que salva
A Igreja nos ensina que, “com Sua Morte, Jesus destruiu a morte”. Não a morte natural, mas a morte eterna. Estávamos todos condenados ao inferno, mas Ele pagou o nosso resgate.
São Pedro diz:
“Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, Aquele que foi predestinado antes da criação do mundo” (1 Pe 1,18-19).
São muitas as passagens da Bíblia que repetem isso. Aqui, revela-se a misericórdia que vence a morte, capaz de restaurar o homem e devolver-lhe a esperança da vida eterna.
A misericórdia que vence a morte na obra da salvação
Jesus havia dito que “não há amor maior do que aquele que dá a vida pelo amigo”. Com a Sua morte na Cruz, Ele reparou o nosso pecado com um amor infinito.
Hoje, podemos receber o perdão na Confissão porque a Divina Misericórdia veio ao encontro de nossa miséria. Ao mesmo tempo, Jesus satisfez a Justiça Divina — pois Deus age pelo direito e pela justiça — e agiu com infinita misericórdia para com cada um de nós.
Ele nos devolveu a vida eterna que tínhamos perdido no Paraíso terrestre. Esta é a Misericórdia que vence a morte e nos dá a vida! A misericórdia que vence a morte nos convida a acolher Cristo como Senhor e Salvador e a viver segundo a Sua santa vontade.
Nossa resposta ao amor de Deus
Agora, cabe a nós retribuir este amor infinito com amor a Deus e ao próximo.
São João da Cruz dizia que: “Amor só se paga com amor”.





