A Vivência da Oitava da Páscoa
Nós estamos na Oitava da Páscoa. O dia da Páscoa se estende por oito dias no nosso calendário litúrgico, caminhando justamente até a Festa da Misericórdia, que celebraremos no próximo domingo.
Neste período, as leituras bíblicas nos falam sobre a comunidade cristã e, sobretudo, sobre os acontecimentos após a ressurreição de Jesus. Vemos o que aconteceu, como a comunidade viveu e, também, as tentativas de impedir que este acontecimento se espalhasse e chegasse até nós. Tudo isso nos ajuda a compreender qual é a nossa verdadeira missão. A Alegria da Ressurreição é a Nossa Missão
A Missão de Anunciar a Verdade com Convicção
O Cristo que ressuscita permanece ainda um tempo no meio dos discípulos. Ele aparece e, em determinado momento, sobe ao Céu. Sua manifestação terrestre, como o homem novo ressuscitado, deixa de ser física da mesma forma. Nós sabemos que Jesus ainda se manifesta, opera e é presente na nossa vida, especialmente na Eucaristia, mas os relatos das aparições físicas se encerram.
A partir daí, cabe a cada um de nós anunciar esta verdade. E não podemos querer anunciá-la de qualquer forma. É necessário fazê-lo, em primeiro lugar, com a certeza da fé. Eu e você precisamos ter essa convicção profunda: Cristo ressuscitou.
Nós podemos recorrer ao contexto histórico e pegar não só os textos sagrados, mas também outras cartas da época que fazem referência à ressurreição, para perceber que o que foi relatado é uma verdade inquestionável. Não podemos cair no erro que vemos no final do Evangelho de hoje, onde alguns espalham o boato de que Cristo não ressuscitou, inventando que os discípulos vieram e sequestraram o Seu corpo.
As Dificuldades do Anúncio do Evangelho
Se partirmos para a evangelização sem essa convicção, muito provavelmente, diante das dificuldades que irão aparecer, nós vamos desistir. E foi assim desde o começo! No dia seguinte à ressurreição, já havia pessoas dizendo que aquilo não tinha acontecido. Já estava ocorrendo corrupção, pessoas sendo compradas com dinheiro para dar um jeito de esconder a verdade.
Portanto, é ilusão acreditar que não teremos dificuldades para anunciar o Cristo. É ilusão achar que não teremos que lidar com pessoas que se corromperam, que abandonaram a verdade, ou com aqueles que farão de tudo para que essa verdade não apareça.
O Essencial da Nossa Fé: Cristo Vive!
Segundo o Evangelho de São Mateus, a primeira palavra de Jesus ressuscitado quando Ele aparece a Maria Madalena e à outra Maria é justamente esta: “Alegrai-vos!”
Mas por que a alegria? Porque a vida nova chegou. Porque a promessa se cumpriu. Porque o amor de Cristo foi mais forte do que a morte e Ele ressuscitou! Quando entendemos que somos amados com um amor levado até o extremo, até o fim, e que a morte não supera o poder de Deus, sabemos que o Cristo ressuscitado habita no meio de nós.
Se Ele está vivo, eu tenho que me alegrar! Me alegrar na hora de falar d’Ele, me alegrar no momento em que tenho que sofrer as consequências do Seu anúncio, me alegrar na perseguição — pois é sinal de que permaneço na verdade. Devo me alegrar até mesmo quando me deparo com aqueles que não querem acolher esta verdade.
Focar na Missão e Não nas Curiosidades
No relato do Tríduo Pascal, o anjo aparece para as mulheres e diz: “Vão e anunciem aos discípulos que Cristo ressuscitou e que eles têm que ir para a Galileia. Cumpram a missão de vocês.”
Elas não ficam questionando: “Espera aí, como assim? Explica para mim, que horas foi isso? Ele estava com as faixas, o que aconteceu com elas? A pedra rolou para a direita ou para a esquerda?” Muitas vezes, temos uma curiosidade que não acrescenta nada à nossa fé. Ficamos querendo questionar coisas que não são essenciais. Qual é a essência? O que nós temos que acreditar? Que Cristo ressuscitou e que Ele está vivo.
Quando entendemos e assumimos isso, não conseguimos ficar com o coração triste. Isso nos empolga! Eu amo o tempo da Páscoa. Celebramos a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira da Paixão — onde sentimos a dor do sacrifício de amor —, mas quando vai chegando o Sábado de Aleluia, uma alegria interior vai tomando conta. E não é só porque acabaram as penitências da Quaresma, mas porque Ele está vivo! Porque tocamos nessa realidade.
Como é bonito para nós, católicos, poder celebrar esta graça. Celebrar cada etapa da Paixão de Nosso Senhor, a Sua morte histórica e, acima de tudo, a Sua ressurreição.
Meu irmão, minha irmã, que possamos proclamar esta verdade com alegria. Que Cristo está ressuscitado, que Cristo vive, que Ele habita no meio de nós. E, mesmo que tenhamos que sofrer as consequências do anúncio desta verdade, que possamos fazê-lo com coragem, porque assim, um dia, estaremos com Ele no Paraíso.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!




