Profissão de fé com atitudes

Padre Marcio Prado fez a homilia do 4º Domingo do Tempo Comum

O sacerdote nos convida a proferir a fé com atitudes:

“A liturgia desse domingo apresenta a leitura do livro do Deuteronômio onde uma profecia diz de um profeta que virá depois dele, Moisés, suscitado entre os irmãos. Profeta que pela graça de Deus iria exercer uma autoridade sobre o seu povo. A profecia diz de Jesus Cristo, homem suscitado entre os irmãos e sua boca comunicou o que o Pai havia ordenado. Na segunda leitura São Paulo valoriza aqueles que se dedicam integralmente ao Reino, os celibatários e recomenda isso aos irmãos. Tal compromisso permite liberdade para cuidar exclusivamente das coisas dos Senhor.

No Evangelho vemos Jesus, que é o homem totalmente dedicado as coisas do Pai, na sinagoga a ensinar. Mas os ensinamentos do Senhor causavam admiração, pois era diferente do ensinamento dos escribas, Jesus tinha um ensinamento de autoridade, era o que descrevia os que o escutavam. Naquela ocasião de ensinamento, um homem possuído por um espírito mau se manifestou. O homem possuído primeiro falou do seu desconforto e depois falou uma verdade “Tu és o Santo de Deus”. Ele disse uma verdade, porém Jesus o repreendeu. Mas se ele disse uma verdade por que Jesus mandou que se calasse? Na verdade o demônio estava fazendo barulho, queria confusão, e do jeito que a pessoa estava não havia condições de dizer que Jesus era o Filho de Deus, daquele jeito a testemunha não era credível, por isso Jesus ordenou que se calasse. Era preciso ter o mínimo de sanidade para testemunhar Jesus o Filho de Deus! Por outro lado, Jesus não queria e não quer seguidores que façam barulho e não vivem sua palavra.

A profissão de fé em Jesus deve também corresponder com atitudes. O demônio usou daquele homem para falar uma verdade, mas não correspondia ao que ele vivia, assim o Senhor cairia em descrédito. Jesus salvou aquele homem e todos ficaram admirados com sua autoridade. No início e no fim há um destaque por parte do povo sobre a autoridade de Jesus. Talvez, infelizmente, as autoridades religiosas e políticas tinham pouco ou não tinham mais crédito. E nesse contexto surgiu Jesus que apresenta sua autoridade com discrição e caridade. Autoridade discreta com seu jeito simples e firme ao dizer “Cala-te” e autoridade na caridade com o homem ao ordenar que o inimigo deixasse aquele homem “Sai dele”.

O Cristo veio fazer a vontade do Pai, ele foi enviado para expressar com sua vida o que o Pai queria para seus filhos. Por isso deu autoridade ao Filho que veio a este mundo para reinar, mas é um reinado diferente de qualquer reinado visto antes. Trata-se de um reinado que serve o outro, não oprime, não maltrata, mas um reinado que exerce sua autoridade na discrição e no amor. Por fim, Ele é nosso Salvador, nosso modelo, somos chamados a reproduzi-lo, como filhos salvos pelo sangue derramado de Jesus, vamos viver nossa profissão de fé não com o barulho das palavras, mas com o silêncio das atitudes, vamos exercer a autoridade que ele nos deu pelo batismo expulsando muitos demônios com uma discrição firme e no amor”.

O Evangelho é de São Marcos: “Na cidade de Cafarnaum, num dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei. Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galiléia (Mc 1,21-28)” .

Confira a liturgia do dia.
Pai das Misericórdias e Deus de toda consolação, ouvi-nos!