evangelho do dia

Jesus no Centro, Paz no Coração - Padre Donizete Heleno - 09/04/2026

Os extremos e a necessidade de equilíbrio

Os extremos são sempre perigosos. Isso fica claro no Evangelho: em um primeiro momento, os discípulos estão assustados e com muito medo; depois, essas emoções dão lugar à alegria e à surpresa.

Por isso, é necessário buscar o justo equilíbrio. E esse equilíbrio nasce da presença de Jesus na vida da comunidade, que permite uma leitura correta dos acontecimentos. Jesus no Centro, Paz no Coração

A presença de Jesus na Palavra

Enquanto os discípulos contavam o que havia acontecido, Jesus se colocou no meio deles. Ou seja, Aquele de quem falavam estava presente.

Não se trata de uma simples narrativa. Ao proclamarmos a Palavra, tornamos presente a própria pessoa de Jesus. Assim também acontece conosco: quando abrimos o coração para ouvir a Palavra de Deus, Cristo se faz presente.

Por isso, a Igreja nos oferece duas mesas inseparáveis: a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Aquilo que é anunciado se concretiza na vivência.

Jesus no centro da vida

O texto original utiliza a palavra “mesos”, que significa centro. Jesus não está apenas no meio, mas no centro da comunidade.

É dessa centralidade que nasce a paz: “A paz esteja convosco”. Só haverá verdadeira paz quando Jesus for o centro da nossa vida e das nossas comunidades.

Com frequência, porém, tiramos Jesus do centro e colocamos a nós mesmos. É preciso, diariamente, recolocá-Lo no lugar que Lhe pertence.

A leitura completa do mistério de Cristo

Os discípulos experimentaram emoções extremas porque fizeram uma leitura incompleta da vida de Jesus. Foi difícil compreender que o Senhor precisava passar pela cruz antes da ressurreição.

Também nós precisamos fazer uma leitura completa do mistério de Cristo. Não podemos pular da vida pública diretamente para a ressurreição, ignorando a cruz.

Sem isso, corremos o risco de viver nos extremos: ou no medo e na insegurança, ou em um entusiasmo superficial, sem profundidade.

A purificação do coração, dos olhos e das mãos

Jesus realiza uma obra de restauração nos discípulos, começando pelo coração, que ainda estava endurecido.

Depois, Ele convida: “Vede as minhas mãos”. Os olhos precisam ser purificados para enxergar corretamente.

Em seguida, diz: “Tocai”. As mãos também participam dessa experiência.

Assim, coração, olhos e mãos — todo o nosso ser — são chamados a mergulhar no mistério de Cristo, para compreender plenamente o Seu amor revelado.