Tempo de leitura: 02 minutos
O drama da incredulidade diante de Cristo
No Evangelho proclamado, segundo Evangelho de João, Nosso Senhor dirige palavras duras aos fariseus: “Se não acreditais que Eu Sou, morrereis”. Não se trata de uma ameaça arbitrária, mas da constatação de uma verdade espiritual profunda: quem rejeita Cristo permanece fechado à salvação.
Jesus revela uma oposição radical: “Vós sois daqui de baixo, eu sou do alto.” Aqui está o drama humano. O homem, preso às realidades terrenas, torna-se incapaz de compreender as coisas do alto. Não por falta de inteligência, mas por falta de abertura do coração.
O pecado como cegueira espiritual
O pecado não é apenas uma transgressão moral; ele produz uma verdadeira cegueira. A alma se obscurece, perde o sentido das coisas eternas e passa a interpretar tudo sob uma lógica meramente humana.
Por isso, os ouvintes de Jesus não compreendem sua linguagem quando ele diz que “Se não acreditais que Eu Sou, morrereis”, eles não entendem. Quando anuncia sua partida, pensam em categorias terrenas. A vida no pecado reduz o horizonte da alma.
Como ensinava Fulton Sheen: “Nós nos tornamos aquilo que amamos.” Se amamos o que é baixo, tornamo-nos baixos; se amamos o que é alto, elevamo-nos.
A elevação do Filho do Homem
Jesus aponta para o momento decisivo: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que Eu Sou.” Trata-se de uma referência direta à sua crucificação.
Na cruz, Cristo será exaltado — não aos olhos do mundo, mas aos olhos da fé. Ali se revela plenamente quem Ele é: o Filho enviado pelo Pai, que nada faz por si mesmo, mas tudo realiza em perfeita obediência.
A cruz, portanto, é o lugar da revelação e também da decisão: ou cremos e somos salvos, ou rejeitamos e permanecemos no pecado.
A Quaresma como tempo de decisão
À medida que nos aproximamos da Semana Santa, a Igreja nos coloca diante de uma escolha concreta. Não basta ouvir o Evangelho; é preciso responder a ele.
A Quaresma não pode ser apenas um tempo de práticas exteriores. Jejuns, penitências e orações só têm sentido se produzirem em nós uma verdadeira elevação espiritual.
Caso contrário, corremos o risco de viver mais uma Quaresma sem conversão real.
Um chamado à conversão concreta
Ainda há tempo. O Evangelho de hoje nos interpela com força: em que direção está a nossa vida? Estamos presos ao “baixo” ou buscamos as coisas do alto?
Há pecados recorrentes que continuam a nos prender, hábitos que nos impedem de crescer, resistências que nos mantêm na mediocridade espiritual. A graça de Deus nos é oferecida, mas exige uma resposta concreta.
Cristo foi elevado na cruz para nos curar do veneno do pecado. Nele está o remédio, nele está a vida nova.
Resumo da homiliado do Padre Wiliam Guimarães
Comunicação do Santuário do Pai das Misericórdias




