O que significa sermos templos do Espírito Santo?

Tempo de leitura: 3 minutos
Por Leonardo Vieira

A queda do homem, templo do Espírito Santo

São Paulo, em 1 Coríntios 6,12-20, nos lembra como era o homem no Paraíso, antes da corrupção causada pelo pecado original:

“Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.”

No Éden, o homem era plenamente livre, vivendo em um estado de santidade e justiça original. Mas o que isso significa? Pela irradiação da graça, todas as dimensões da vida humana eram fortalecidas. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não morreria nem sofreria. A harmonia entre o primeiro casal e toda a criação constituía um estado de justiça original.

O domínio que Deus concedeu ao homem desde o início realizava-se primeiro no próprio homem, como domínio de si mesmo. O homem estava íntegro e ordenado em todo o seu ser: livre da concupiscência dos prazeres dos sentidos, da cobiça dos bens terrenos e da autoafirmação.

De todas as criaturas visíveis, só o homem é capaz de conhecer e amar seu Criador. Ele é a única criatura que Deus quis por si mesma e que foi chamada a compartilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Foi para esse fim que o homem foi criado; aí reside a razão fundamental da sua dignidade.

Santa Catarina de Sena ensina sobre o amor de Deus na criação:

“O amor inestimável pelo qual enxergastes em vós mesmo vossa criatura, e vos apaixonastes por ela; pois foi por amor que a criastes, foi por amor que lhe destes um ser capaz de degustar vosso bem eterno.”

Portanto, por amor fomos criados, com a capacidade de experimentar todos os bens eternos.

O que significa sermos templos do Espírito Santo?

A dignidade do homem à imagem e semelhança de Deus

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, o que nos confere dignidade de pessoa. O Catecismo da Igreja nos lembra:

“O homem não é apenas alguma coisa, mas alguém. É capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente, de entrar em comunhão com outras pessoas e é chamado, por graça, a uma aliança com seu Criador, oferecendo-lhe uma resposta de fé e amor que ninguém mais pode dar em seu lugar.”

O mistério do homem só se revela plenamente no mistério do Verbo encarnado. São Paulo nos ensina que dois homens estão na origem do gênero humano: Adão e Cristo:

“O primeiro Adão foi criado como ser humano que recebeu a vida; o segundo é o que dá a vida.”

O homem, em sua totalidade, é querido por Deus. Nem mesmo o pecado pode anular essa realidade dentro do plano da salvação: por um homem, Adão, o pecado entrou no mundo; por um homem, Cristo, somos redimidos.

O homem como amigo de Deus

O homem não foi apenas criado bom, mas também constituído em amizade com seu Criador. Adão e Eva viviam em tal harmonia consigo mesmos e com a criação, que nada poderia separá-los, exceto a glória da nova criação em Cristo.

São Paulo, em 1 Coríntios 6,15-20, nos lembra:

“Não sabeis que sois membros do corpo de Cristo? Tomarei os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo?”

Ser templo do Espírito Santo

Somos templos do Espírito Santo porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus, com dignidade e capacidade de conhecer e amar nosso Criador. Essa experiência não é possível se formos dominados pelo pecado. No Éden, por causa do pecado, nossos primeiros pais foram expulsos, afastados da presença de Deus; hoje, nós mesmos nos afastamos de Deus pelo pecado.

Com a vinda de Cristo, Sua morte e ressurreição, reabriram-se as portas do amor de Deus. Todos podemos entrar, mas há uma condição: “Sede santos como o Pai é santo.”

Somos membros do corpo de Cristo, e o Espírito Santo é o vínculo que nos une a Ele. Devemos caminhar segundo o Espírito, renunciando ao pecado, cultivando virtudes e permitindo que o próprio Deus opere uma obra nova em nós.

Mesmo que o pecado original nos tenha afastado, não fomos totalmente corrompidos. Carregamos inclinações ao erro (concupiscência), mas pelo batismo recebemos o dom da graça, que nos permite restaurar a santidade original e sermos santos.

Deus abençoe!

Bibliografia

  • Catecismo da Igreja Católica