evangelho do dia

Jesus e a Arte de Recomeçar Ciclos - Padre Valdinei Teodoro (28/04/2026)

O Significado do Inverno Espiritual: Jesus e a Arte de Recomeçar Ciclos

No cenário solene de Jerusalém, durante a Festa da Dedicação do Templo — também conhecida como a Festa das Luzes — Jesus caminhava pelo Pórtico de Salomão. Era inverno. Esse detalhe, registrado pelo evangelista, não é apenas uma anotação climática, mas uma chave teológica para compreendermos o agir de Deus em nossas vidas.

A Festa da Dedicação e a Voz do Pastor

A celebração da Dedicação, que ocorria em dezembro, rememorava a purificação do Templo. Ali, cercado por dúvidas e questionamentos, Jesus declara uma verdade eterna: “As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço e elas me seguem”. Ele nos garante a vida eterna e a segurança de que ninguém nos arrebatará de Suas mãos, pois Ele e o Pai são um.

Viver em Harmonia com o Princípio Orientador

Inspirados pela sabedoria que nos convida a viver em conformidade com a natureza, compreendemos que Deus é o grande orientador de todas as coisas. Muitas vezes, tentamos manter o controle, mas a psicologia e a fé nos mostram que o excesso de controle acaba por nos escravizar.

Viver com um coração sincero e sem máscaras é aceitar que a mão do Senhor está conosco em todas as fases. O segredo da plenitude não está em resistir ao tempo, mas em aceitar os fluxos naturais que o Criador estabeleceu.

O Mistério do Inverno: Remover o Supérfluo

Por que o Evangelho destaca que “era inverno”? Na vida espiritual, o inverno representa a estação da quietude, do recolhimento e, por vezes, da morte do que não serve mais. Assim como a natureza se contrai e os animais hibernam, o nosso “inverno interior” tem um propósito: remover o supérfluo.

O inverno nos ensina a:

  • Deixar de lado o que é ilusório e infundado;

  • Aceitar a fragilidade e o envelhecimento;

  • Habitar espaços internos que antes tínhamos medo de visitar.

A Coragem de Colocar um Ponto Final

Tudo o que existe no tempo e no espaço é cíclico: surge, cresce, diminui e deixa de ser. O desequilíbrio humano muitas vezes nasce da resistência em aceitar o fim de uma etapa. Carregamos pesos desnecessários porque não temos a coragem de interromper ciclos que já se esgotaram.

O ritmo da natureza é perfeito porque tem um ponto de chegada e um de partida. Na nossa vida, precisamos ter a sabedoria espiritual para discernir o momento certo de agir. Como bem nos ensina esta homilia: não podemos colocar reticências ou vírgulas onde Deus já nos pede para colocar um ponto final.