SANTÍSSIMA TRINDADE

As ferramentas para a vida interior e a Graça Divina

Participar da Vida Divina por meio do Espírito Santo

A vida de Deus em nós ou a vida de Cristo em nós. Obviamente, nós não temos uma vida idêntica à de Deus nem à do seu Filho Jesus, mas uma semelhança, uma participação finita, bem real, desta vida interior.

Podemos, portanto, defini-la:

“uma participação da vida divina, conferida pelo Espírito Santo que habita em nós, em virtude dos méritos de Jesus Cristo, e que nós devemos cultivar contra todas as tendências contrárias”.

Ter uma vida em Deus, podemos perceber que é uma vida em que Ele possui o primeiro lugar e nós, o segundo. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que se chama Espírito Santo, vem pessoalmente doar esta vida, porque somente Ele pode nos fazer participar da sua própria vida.

Comunica-nos esta vida através dos méritos de Cristo, que é a causa meritória, exemplar e vital da nossa santificação.

As ferramentas para a vida interior e a Graça Divina

Créditos: Canva

Méritos de Cristo e a vida interior

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que o mérito se relaciona com a virtude da justiça, em conformidade com o princípio da igualdade que rege o mérito do homem diante de Deus. A vida interior cristã provém do fato de que Deus livremente determinou associar o homem à obra da sua graça.

O homem, decaído pelo pecado, não possui nenhum mérito para atingir a salvação eterna. Pela obra da sua graça, que é a encarnação do seu Filho Jesus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, como homem e com esta natureza, conquistou para nós, homens, ou melhor, nos deu acesso à graça de Deus.

Por meio:

  • Cruz: morrer por nós na cruz nos deu a graça de podermos também realizar atos de amor.
  • Atos de infinita caridade de Jesus: o amor verdadeiro que vem de Deus merece a recompensa do céu; uma vez salvos, nossa glória no céu pode crescer em nós de acordo com nosso amor aqui na terra.
  • Somos salvos por graça: ninguém merece ser salvo, mas, em Jesus, somos salvos, porque Ele pagou o preço da salvação por nós e conquistou para nós esta graça. As obras de amor aqui na terra podem aumentar o grau de glória no céu para cada um de nós.

Todas as boas obras praticadas pelo homem no seu cotidiano procedem de Deus, no seu Filho Jesus, através das inspirações do Espírito Santo; ou seja, toda obra boa que praticamos é uma manifestação da Santíssima Trindade em nós, que nos inspira e santifica através da Terceira Pessoa. Portanto, a caridade de Cristo manifestada em nós constitui a fonte de todos os nossos méritos diante de Deus.

A Santíssima Trindade, portanto, contribui para nossa santificação, habitando na nossa alma e despertando o sobrenatural em nós.

  • Habitados pelo Espírito Santo:
    a vida interior cristã é a participação na vida de Deus, e somente Ele pode conferir essa graça. Ele confere essa graça vindo habitar em nossa alma, doando-se inteiramente a nós.
  • Para que isso?
    Para que possamos adorá-Lo, experimentar sua presença, deixá-Lo guiar-nos às virtudes de Cristo.
  • O Pai em nós:
    o Pai vem a nós e continua a gerar o Filho na nossa alma, que é perfeitamente igual ao Pai, que não cessa de amá-Lo infinitamente, e deste amor recíproco procede o Espírito Santo.
  • Características da presença:
    Deus não está somente em nós, mas se “dá” a nós, como Pai, como amigo, como colaborador, como santificador, e assim Ele passa a ser verdadeiramente o princípio da nossa vida interior.

A nossa alma, habitada por Deus, se transforma em um templo do Deus vivo, recinto sacro, reservado a Deus, trono de misericórdia, de onde Ele gosta de distribuir os seus favores celestiais e nos adorna com suas virtudes. Mas todas essas manifestações que descrevemos aqui não serão jamais manifestadas em nós se, por acaso, não abrirmos o nosso coração e tornarmos Deus o princípio-base da nossa vida interior.

Os nossos deveres

Quem se encontra com o Senhor descobre que possui dentro de si mesmo esse grande tesouro da Santíssima Trindade e deve deixar nascer os sentimentos de adoração, amor e imitação.

  • Adoração: é natural, em quem faz esta experiência, ser levado à adoração; na verdade, como não adorar Aquele que nos transforma e faz da nossa vida interior um santuário da sua presença?
  • Amor: depois de ter adorado a Deus e ter apresentado o próprio nada, a alma se abandona aos sentimentos de amor mais confiante. Não será um simples sentimento afetuoso, mas um amor generoso que nos leva até o sacrifício, renunciando à própria vontade para se submeter aos preceitos e conselhos divinos.
  • Imitação: filhos adotivos de um Pai três vezes Santo, entendemos melhor a necessidade de respeitar o nosso corpo e a nossa alma, como São Paulo nos recordava ao dizer que devemos nos comportar como membros do corpo de Cristo, e por isso devemos ser santos.

Podemos, assim, concluir que o Espírito Santo, o vínculo de amor entre o Pai e o Filho, nos leva a uma união íntima, afetuosa e santificante com as três divinas Pessoas, nos conservando no Espírito, no amor e no sacrifício.

Deus abençoe!