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Por Leonardo Vieira
A queda do homem, templo do Espírito Santo
São Paulo, em 1 Coríntios 6,12-20, nos lembra como era o homem no Paraíso, antes da corrupção causada pelo pecado original:
“Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.”
No Éden, o homem era plenamente livre, vivendo em um estado de santidade e justiça original. Mas o que isso significa? Pela irradiação da graça, todas as dimensões da vida humana eram fortalecidas. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não morreria nem sofreria. A harmonia entre o primeiro casal e toda a criação constituía um estado de justiça original.
O domínio que Deus concedeu ao homem desde o início realizava-se primeiro no próprio homem, como domínio de si mesmo. O homem estava íntegro e ordenado em todo o seu ser: livre da concupiscência dos prazeres dos sentidos, da cobiça dos bens terrenos e da autoafirmação.
De todas as criaturas visíveis, só o homem é capaz de conhecer e amar seu Criador. Ele é a única criatura que Deus quis por si mesma e que foi chamada a compartilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Foi para esse fim que o homem foi criado; aí reside a razão fundamental da sua dignidade.
Santa Catarina de Sena ensina sobre o amor de Deus na criação:
“O amor inestimável pelo qual enxergastes em vós mesmo vossa criatura, e vos apaixonastes por ela; pois foi por amor que a criastes, foi por amor que lhe destes um ser capaz de degustar vosso bem eterno.”
Portanto, por amor fomos criados, com a capacidade de experimentar todos os bens eternos.
A dignidade do homem à imagem e semelhança de Deus
Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, o que nos confere dignidade de pessoa. O Catecismo da Igreja nos lembra:
“O homem não é apenas alguma coisa, mas alguém. É capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente, de entrar em comunhão com outras pessoas e é chamado, por graça, a uma aliança com seu Criador, oferecendo-lhe uma resposta de fé e amor que ninguém mais pode dar em seu lugar.”
O mistério do homem só se revela plenamente no mistério do Verbo encarnado. São Paulo nos ensina que dois homens estão na origem do gênero humano: Adão e Cristo:
“O primeiro Adão foi criado como ser humano que recebeu a vida; o segundo é o que dá a vida.”
O homem, em sua totalidade, é querido por Deus. Nem mesmo o pecado pode anular essa realidade dentro do plano da salvação: por um homem, Adão, o pecado entrou no mundo; por um homem, Cristo, somos redimidos.
O homem como amigo de Deus
O homem não foi apenas criado bom, mas também constituído em amizade com seu Criador. Adão e Eva viviam em tal harmonia consigo mesmos e com a criação, que nada poderia separá-los, exceto a glória da nova criação em Cristo.
São Paulo, em 1 Coríntios 6,15-20, nos lembra:
“Não sabeis que sois membros do corpo de Cristo? Tomarei os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo?”
Ser templo do Espírito Santo
Somos templos do Espírito Santo porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus, com dignidade e capacidade de conhecer e amar nosso Criador. Essa experiência não é possível se formos dominados pelo pecado. No Éden, por causa do pecado, nossos primeiros pais foram expulsos, afastados da presença de Deus; hoje, nós mesmos nos afastamos de Deus pelo pecado.
Com a vinda de Cristo, Sua morte e ressurreição, reabriram-se as portas do amor de Deus. Todos podemos entrar, mas há uma condição: “Sede santos como o Pai é santo.”
Somos membros do corpo de Cristo, e o Espírito Santo é o vínculo que nos une a Ele. Devemos caminhar segundo o Espírito, renunciando ao pecado, cultivando virtudes e permitindo que o próprio Deus opere uma obra nova em nós.
Mesmo que o pecado original nos tenha afastado, não fomos totalmente corrompidos. Carregamos inclinações ao erro (concupiscência), mas pelo batismo recebemos o dom da graça, que nos permite restaurar a santidade original e sermos santos.
Deus abençoe!
Bibliografia
- Catecismo da Igreja Católica



