A justiça e a misericórdia de Deus

Padre Wagner Ferreira, em homilia no Santuário do Pai das Misericórdias, pediu a cura das enfermidades e iniciou sua reflexão falando da justiça e misericórdia de Deus.

“Queridos irmãos em Cristo Jesus, na realização de Sua missão, Jesus veio para revelar o Reino do Céu e realizar a justiça e a misericórdia de Deus.”

Em seguida, ele fez o sermão da montanha como ouvimos no Evangelho de hoje: “Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: Eu quero, fica limpo. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra”.

Jesus imediatamente coloca em prática essa vontade de Deus, de fazer o Seu Reino acontecer na vida e no coração das pessoas.

A cura do leproso é exatamente a manifestação do Reino de Deus por meio das pregações e dos ensinamentos feitos por Jesus, mas também por meio de sinais e prodígios, de curas e exorcismos que Jesus realizou. Assim, pouco a pouco, experimentam a misericórdia do Senhor.

O Reino se manifesta quando Jesus dá o perdão. Diante do arrependimento de coração, Ele reconcilia o coração das pessoas com o coração do Pai. Sem dúvida, na realização de Sua missão para implantar o Reino de Deus, o ponto auge da missão de Jesus é o mistério de Sua Páscoa, da Paixão à Ressurreição. De forma definitiva, Ele implanta esse Reino e dá acesso a todas as pessoas; ninguém é excluído. Essa fé nos leva à vivência e abertura do coração, a fim de que experimentemos a justiça e a misericórdia do Senhor.

Verdadeiramente, no mistério de Sua Páscoa, concretiza-se a promessa que Deus fez a Abraão, como ouvimos na primeira leitura: “Estabelecerei a minha aliança, uma aliança perpétua para a sua descendência” (Gn 17,19b). Essa é a promessa de uma aliança entre a humanidade e Deus.

Jesus faz parte dessa numerosa e abençoada descendência de Abraão; Ele estabelece uma nova e eterna aliança em Seu Sangue derramado na cruz.

O Evangelho coloca em destaque a figura de um leproso. A lepra não era considerada simplesmente uma doença, pois além de ser grave e incurável, ela segregava, marginalizava a pessoa que a possuía. O leproso tinha de viver fora da cidade.

Criavam-se colônias de leprosos, pois essa doença era vista como um castigo de Deus. Acreditavam que aquela pessoa ou seus pais haviam cometido tal pecado, que Deus os castigaria; por causa do contágio, elas viviam fora da cidade. Quando eles precisavam sair, seja por fome ou outro motivo, sinalizavam, identificavam-se com um sininho, por exemplo, para que as pessoas pudessem jogar a comida sem os tocar, para não serem desgraçadas aos olhos do Senhor.

O leproso aproximou-se de Jesus e Lhe disse: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Jesus estendeu a mão e tocou nele. A partir daquele momento, os discípulos poderiam ter se afastado, pois Jesus o havia tocado com coragem.

Assim age a misericórdia do Senhor, a justiça de Deus que não se prende às leis humanas, mas que vai além para promover a dignidade de toda e qualquer pessoa.

Hoje, gostaria que nos abríssemos à suplica do Senhor, para que Ele também nos tocasse, independentemente das enfermidades do corpo, pois a pior doença é o pecado. Jesus quer nos tocar para estabelecer a nova e eterna aliança e viver na alegre comunhão com Deus.

Que o Reino do Pai se manifeste em nossos corações, nas famílias e nas pessoas enfermas. Que hoje você apresente as pessoas doentes, para que elas não apenas sejam consoladas, mas curadas.

Peça a graça da cura para você e também para o seu vizinho, um familiar ou alguém que você conhece, porque Jesus está no meio de nós.

 

Primeira Leitura (Gn 17,1.9-10.15-22)

Responsório (Sl 127)

Evangelho (Mt 8,1-4)