Vivamos na expectativa do Senhor que vem
As luzes de Natal já estão sendo acesas em toda parte. Suspiramos e refletimos que mais um ano se passou. Para o mundo o Natal teve seu significado deturpado, mas para nós, católicos, não. Sabemos que não são apenas luzes ou uma simples contagem regressiva para um dia especial, mas um tempo litúrgico muito importante para a nossa Igreja, chamado Advento.
A palavra Advento é derivada do latim adventus, que significa “chegada”. Celebramos o Deus da revelação: ”Aquele que era, que é e quem vem, o Todo-poderoso (Ap 1, 8). Este tempo litúrgico tem duração de quatro semanas. Nas duas primeiras semanas refletimos sobre a segunda vinda do Senhor, e nas duas últimas refletimos sobre a primeira vinda de Cristo a nós, o grande mistério da Encarnação. A primeira e a segunda vinda de Cristo são realidades distintas, mas não separadas, elas se unem, de modo que vivemos o presente com olhos voltados para a meta, a eternidade. Advento é tempo de alegria, esperança e conversão! Precisamos viver essas três dimensões com verdadeira intensidade. É necessário viver este tempo de forma profunda e em comunhão com a Igreja. Não podemos esquecer que somos um corpo, o corpo místico de Cristo. Somos chamados a viver esta unidade.
É tempo de alegria. Alegria é uma das grandes marcas do Advento! A renovação da nossa entrega a Deus, sabendo que somos filhos amados e que, na história da salvação, o Senhor sempre manifestou o seu amor por nós. Somo alegres! Não apenas lembramos que Ele vem, mas vivemos a certeza da parusia. Se Ele disse que virá, certamente virá. É certo, é atual. Cristo que vem, e é logo! Não é uma verdade silenciosa. “Esta petição é o ‘Maranathá’, o clamor do Espírito e da esposa: ‘Vem, Senhor Jesus!’” (CIC 2817).
Nutrimos e fomentamos a alegria interior, de tal forma que esta alegria transborde, se derrame e atinja o ambiente fora, por meio da intimidade com Deus e do amor aos irmãos. Afastemos de nós toda tristeza, porque o senhor está voltando.
Este é o tempo em que precisamos ter essa certeza. O Senhor cumpre suas promessas. Ele prometeu e veio a primeira vez, nos trazendo salvação. E novamente prometeu e com certeza virá! E agora? Esperamos. Não é simples viver a espera, mas, para nós cristãos a esperança é uma virtude. Esperamos a vinda gloriosa do Senhor, a renovação de todas as coisas, a derrota de Satanás e de todo o mal, vencendo as mazelas que habitam em nós e todo o mundo. “Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5, 3-5)
O Advento é o tempo oportuno para a conversão. Pois, para vivermos a esperança e alegria é necessário estarmos voltados a Cristo, caso contrário, não conseguiremos viver essa expectativa na manifestação gloriosa de Cristo.
É preparando o caminho do Senhor que Ele virá. Mas como preparar um caminho para o próprio Deus? Sendo evangelhos vivos, transbordando seus ensinamentos com a nossa vida, indo muito além do anúncio, mas exalando a vida nova que Jesus nos trouxe. É lutar contra o pecado com todas as nossas forças, não somente por uma obediência cega, mas sim por amor.
É ter coragem de se separar de tudo que é vida velha, tudo o que não convém e não contribui para a nossa salvação e a salvação do nosso próximo. Somente um coração limpo e bem disposto pode dizer: “Venha a nós o vosso reino”.
Então, vivemos esta feliz expectativa do Senhor que vem. E precisamos estar prontos, buscando viver este caminho de conversão. Como já cantava Padre Jonas Abib: “Mas o Senhor virá e Ele não tardará! Que a santidade da minha vida apresse o Senhor, e Ele logo virá”.
Quando mergulhamos na dimensão do Advento, é possível perceber que independente das alegrias ou tristezas, de qualquer situação que vivemos, tudo é passageiro e apenas Cristo permanece, apenas Ele basta. É o único. E quem espera Nele com o coração aberto não sai decepcionado. Não é uma espera vazia, mas nutrida de fé e alegria.
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Esta expectativa alegre restaura em nós aquilo que foi desconstruído pelo pecado e dispõe a nossa alma para acolher a vida nova, deixa o coração fértil para ser banhado pela chuva da misericórdia de Deus, que se derrama todos os dias e será de maneira torrencial, no último dia.








