Segundo São Tomás de Aquino

Três modos de vencer a luxúria

Antes de iniciar o artigo, gostaria de te fazer uma pergunta desconcertante: “Você, em algum momento da sua vida, já teve pensamentos luxuriosos ou sensuais?”. Se, sua resposta for negativa, parabéns, você é uma criatura rara, aliás, muito rara, por que não dizer um “anjo formado por células”. Portanto, eu diria que este artigo não tem nenhuma serventia para você. 

“Tenha muito cuidado com a televisão, o celular, o computador, a internet.” | Foto ilustrativa: cancaonova.com

Porém, se estiver neste segundo parágrafo, acredito que sua resposta tenha sido “sim”. Então, quero te convidar para descobrirmos juntos o que São Tomás nos ensina para vencermos esse grande mal. Antes, porém, é preciso dizer que o sentido originário da expressão “luxúria” está permeado pela ideia de “algo fora do lugar”, “deslocado”. Sendo assim, se algo está fora do lugar em nós, nada mais justo que nos esforçarmos para colocar todas as coisas no seu devido lugar.

Não pense que a luxúria é uma questão meramente exterior, em que atos são realizados de maneira palpável. Na verdade, os atos exteriores estão no final de um processo que fora previamente pensado, consentido, planejado e executado. Isso me faz recordar de uma frase que certa vez ouvi: “Os passos que conduzem um assassino na direção de sua vitima são passos de assassino. Eles participam da maldade total do seu ato, porque o seu fim é mau”. Logo, ele não seria assassino se tivesse se recusado a dar aqueles passos.

Em síntese, a luxúria é uma inclinação desordenada mais ou menos forte para experimentar um prazer ilegítimo. Também é importante lembrarmos de que ela é condenada por dois mandamentos da lei de Deus, a saber, “Não cometerás adultério” e “Não cobiçarás a mulher do teu próximo”. Ela é, também, contada dentre os sete pecados capitais, quer dizer, é geradora de muitos outros pecados. Aí estão outras motivações importantes para que lutemos e nos esforcemos contra essa maléfica inclinação.

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Por falar em esforço, o próprio São Tomás de Aquino nos alerta que, para vencer a luxúria, é necessário muito esforço e perseverança. Toda essa dificuldade se dá justamente porque a luxúria é um vício interno. É muito mais desgastante vencermos um inimigo que é nosso hóspede do que aquele que mora do outro lado da cidade. Contudo, se você acha que é impossível guardar a continência, preciso te dizer que Santo Agostinho também achava, porém, depois de convertido a Deus, sustentado pelos exemplos dos santos e podendo contar com a graça de Deus por meio dos Sacramentos, ele pôde compreender que não há coisa impossível para quem sabe orar e lutar.

O nosso “Doutor Angélico” (São Tomás de Aquino) nos orienta que a primeira medida a tomar para vencermos a luxúria é fugindo das ocasiões que nos levam a ela. Afastemos, portanto, o nosso corpo dessas ocasiões. Evite lugares, companhias que te levam ao pecado. Proteja o olhar, o ouvido e os demais sentidos dessas ocasiões. Tenha muito cuidado com a televisão, o celular, o computador, a internet. Esse passo ninguém poderá dar por você.

O segundo conselho de São Tomás está voltado aos pensamentos. Não alimente aqueles pensamentos que você sabe que vão te levar ao pecado. O menor dos petiscos que você oferece ao mau pensamento serve de nutrição para um próximo que, por sua vez, é infinitamente mais forte do que o primeiro. Cuide, portanto, dos seus pensamentos. Eles sempre são mais fortes que nós.

O terceiro conselho não poderia ser outro senão a oração. Com relação à oração, inclui-se a pessoal e a comunitária; a vivência dos sacramentos; a busca por uma vida espiritual; a leitura de textos virtuosos e decentes, que alimentam e nutrem verdadeiramente a alma; a meditação da palavra de Deus; a aceitação dos sofrimentos e da decrepitude natural da vida e, porque não dizer os pequenos gestos de mortificação? Não nos esqueçamos de que o nosso maior combate trava-se no campo espiritual, não no campo carnal.

Por fim, São Tomás de Aquino ainda deixa uma dica especialíssima, sem a qual não se vence a luxúria: uma vida de ocupações lícitas. Cuide das suas ocupações, a ociosidade é um grande mal. O descanso é importantíssimo, mas a ociosidade é extremamente maléfica. Ocupe-se das coisas santas e que agradam a Deus. Pra concluir, nosso Doutor Angélico diz que a melhor das ocupações é o estudo das Escrituras. Lembremos que é um grande santo que nos diz isso.

Deus abençoe você e até a próxima!

Seminarista Gleidson de Souza Carvalho
Missionário da Comunidade Canção Nova

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