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Como Permanecer no Amor de Jesus Hoje - Padre Eder Pires (07/05/26)

Como Permanecer no Amor de Jesus Hoje

No Evangelho da quinta semana da Páscoa, somos confrontados com uma ordem direta do Senhor. Para nós, cristãos batizados que desejamos cumprir e viver a vontade de Deus, essa ordem precisa ser colocada em prática diariamente. É através dela que aumentamos a nossa comunhão e a nossa intimidade com o Pai.

Olhando superficialmente, o versículo pode parecer simples ou isolado de um contexto. No entanto, ao tentarmos vivê-lo na prática, percebemos que a realidade exige muito mais de nós. A ordem que o Senhor nos dá hoje é: “Permanecei no meu amor.”

O que realmente significa “Permanecer”?

Dizer que queremos ser amados é fácil, pois todos nós buscamos o amor e desejamos experimentar essa realidade pelo maior tempo possível. Nós queremos isso com as pessoas que amamos e nas situações que nos fazem bem. Mas, no contexto do Evangelho, Jesus nos pede para compreender duas realidades profundas.

A primeira delas é o significado real de permanecer. Permanecer não é apenas “estar” em um lugar; é a disposição ativa de querer ficar.

Aquele que permanece:

  • Deseja, de fato, estar ali;

  • Faz o esforço necessário para se adaptar;

  • Luta contra os impulsos e desejos de ir embora;

  • Tem a consciência de que, muitas vezes, precisará abrir mão de vontades pessoais para evitar conflitos e construir a unidade.

Podemos ver isso na nossa própria rotina. No trabalho, mesmo sabendo da necessidade do sustento, precisamos nos esforçar diariamente para permanecer. Em nossa casa, na convivência familiar, quando surge a irritação, também somos chamados ao exercício de permanecer com o outro.

Portanto, o permanecer exige uma postura ativa. Diante disso, Jesus nos faz perguntas cruciais: Você quer ficar Comigo? Está disposto a se sacrificar e abrir mão de certos direitos para permanecer ao Meu lado?

Fazer morada no Senhor

Na língua francesa, o verbo “permanecer” pode ser traduzido como demeurer, que traz o sentido profundo de fazer morada. O Senhor nos questiona se estamos dispostos a morar com Ele. Não apenas como hóspedes passageiros, mas ajudando a construir essa casa e esse ambiente de intimidade com Ele.

A exigência do Amor Verdadeiro

Quando compreendemos o chamado para permanecer, entramos na segunda realidade: viver e experimentar o amor de Jesus. É evidente que todos nós queremos ser amados por Ele, mas precisamos lembrar que o amor é exigente e requer renúncias.

Toda mãe sabe bem disso. O amor materno exige sacrifícios, disposição e uma força que muitas vezes a mãe nem sabe de onde tira, mas realiza por causa da graça da maternidade. Com Jesus não é diferente. Precisamos ter a disposição de amá-Lo, mas também de nos deixarmos ser amados por Ele.

Jesus não ama “em prestações”

Muitas vezes, por causa das nossas feridas e das marcas do passado, nós bloqueamos o amor de Deus e não permitimos que Ele nos alcance por inteiro. Mas se existe algo que Jesus é incapaz de fazer, é amar parcelado.

Jesus ama você por inteiro, com 100% da Sua força. Ele não parcela o amor.

Infelizmente, com frequência trocamos esse amor pleno por “outros amores”. Damos preferência a situações passageiras e realidades vazias, fechando o coração para o amor verdadeiro que Jesus tem por nós. O resultado disso são as decepções e as desilusões. Caímos no vazio porque trocamos a única fonte capaz de nos dar a alegria plena por promessas falsas.

O auxílio do Paráclito

Para que possamos vencer essa batalha diária, nós não estamos sozinhos. Nós temos um ajudador, o Paráclito.

É ao Espírito Santo que devemos clamar em todas as nossas necessidades. É Ele quem tem o poder de curar as nossas feridas, nos dar forças para abandonar os falsos amores e nos sustentar firmes, para que possamos, finalmente, permanecer naquilo que é o único e verdadeiro amor: o Amor de Deus.