O que é a Renovação Carismática Católica
A Renovação Carismática Católica (RCC) nasce da graça de uma nova efusão do Espírito Santo no mundo e foi chamada pelo Papa Francisco, ao citar o cardeal Léon Joseph Suenens, de “corrente de graça concedida a toda a Igreja”. Para compreender essa expressão, é importante conhecer os fatos históricos que antecederam e prepararam o novo Pentecostes vivido pela Igreja, iniciado ainda no final do século XIX.
Origem histórica da RCC na Igreja
O Papa Leão XIII, em 1897, estimulado por Santa Elena Guerra, escreveu a primeira encíclica dedicada ao Espírito Santo: Divinum Illud Munus, na qual chamou o divino Consolador de “o grande desconhecido”.
Ele declarou que Cristo é a cabeça da Igreja e o Espírito é sua alma. Ao final da encíclica, exortou toda a Igreja a se empenhar em conhecer, amar e suplicar a presença do Espírito Santo. Como parte dessa iniciativa, o Papa recomendou a oração de novenas nas igrejas, concedendo indulgência plenária por sete anos aos que as rezassem.
O Espírito Santo e o novo Pentecostes
No final de 1961, o Papa João XXIII, em sua constituição apostólica para a convocação do Concílio Ecumênico Vaticano II, suplicou:
“Renova, em nossa época, Senhor, os prodígios como de um novo Pentecostes.”
Para obter essa renovada efusão pentecostal, foi formulada uma oração que deveria ser rezada por toda a Igreja, suplicando ao Espírito Santo que renovasse, também nesta época, os prodígios do Pentecostes.
O ensinamento dos Papas sobre a Renovação Carismática Católica
Em sintonia com o Concílio, Paulo VI destacou a importância da efusão do Espírito Santo, que permite aos fiéis viver a fé com devoção, profundidade e alegria. Em 29 de novembro de 1972, durante uma catequese, afirmou:
“Muitas vezes, nos perguntamos: quais são as maiores necessidades da Igreja? Precisamos dizê-lo quase com temor e oração, porque é o seu mistério e a sua vida: o Espírito Santo, animador e santificador da alegria, o seu sopro divino, o vento em suas velas, o seu princípio unificador, a sua fonte interior de luz e força, o seu amparo e Consolador, a sua fonte de carismas e cânticos, a sua paz e alegria. A Igreja precisa de Pentecostes perene; precisa de fogo no coração, de palavras nos lábios, de profecia no olhar.”
Em sua exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, Paulo VI enfatiza:
“Nunca será possível haver evangelização sem a ação do Espírito Santo.”
O Espírito de Deus tem um lugar eminente em toda a vida da Igreja, mas age de forma mais intensa na missão evangelizadora. A grande renovação na evangelização foi concedida na manhã de Pentecostes, sob inspiração do Espírito.
São João Paulo II
O Papa João Paulo II, desde o início de seu pontificado, ressaltou a importância da comunhão com o Espírito Santo. Na encíclica Redemptor Hominis, afirma:
“A Igreja une-se com o Espírito de Cristo, com aquele Espírito Santo redentor que havia prometido e que comunica continuamente, e cuja descida, revelada no dia de Pentecostes, perdura para sempre.”
Já na encíclica Dominum et Vivificantem, no número 65, destaca a ação do Espírito Santo na alma do fiel:
“É belo e salutar pensar que, onde quer que no mundo se reze, aí está o Espírito Santo, sopro vital da oração.”
Bento XVI
Na encíclica Deus Caritas Est, o Papa Bento XVI reforça a importância da intimidade com o Espírito Santo:
“De fato, o Espírito Santo é aquela força interior que harmoniza o coração dos crentes com o coração de Cristo e leva-os a amar os irmãos como Ele os amou.”
Por ocasião dos 40 anos do surgimento da RCC, Bento XVI afirmou que os movimentos eclesiais e novas comunidades surgidos após o Concílio Vaticano II são um dom para a Igreja e concluiu: “Não há Igreja sem Pentecostes.”
Papa Francisco
O Papa Francisco também abordou abundantemente o tema do Espírito Santo e os carismas. Durante a vigília em comemoração ao jubileu de ouro da Renovação Carismática Católica, no Circo Massimo, em Roma, disse:
“O Espírito Santo conduz-nos por um caminho de conversão que atravessa todo o mundo cristão e é mais um motivo para que a Renovação Carismática Católica seja um lugar privilegiado a fim de percorrer a estrada da unidade! Esta corrente de graça é para toda a Igreja, não só para alguns, e ninguém de nós é o ‘senhor’, e todos os outros são servos. Não. Todos somos servos desta corrente de graça.”
Um movimento de oração e graça
O surgimento da Renovação Carismática Católica não foi fruto de uma euforia coletiva nem de protestantização da Igreja Católica, mas resultado da oração e intercessão dos Papas e santos da Igreja, como Santa Elena Guerra. O Concílio Vaticano II encerrou-se solenemente em 8 de dezembro de 1965; dois anos depois, o Espírito Santo se manifestou em Duquesne, nos Estados Unidos, e a experiência se espalhou pelo mundo.
O Papa Francisco nos adverte:
“Não somos senhores dos outros e não podemos engaiolar o Espírito Santo.”
O papel dos Grupos de Oração hoje
Portanto, não sejamos engessados, nem nos consideremos superiores por orar em línguas ou por anos de experiência em Grupo de Oração. Nosso dever, como comunidade carismática, é acolher, interceder pela efusão no Espírito Santo e formar os irmãos, e não o contrário.
Preocupo-me quando há uma inversão de valores. O que seria isso? Nossos irmãos chegam ao Grupo de Oração e, para receber a efusão, precisam primeiro passar por um processo formativo; e, quando já estão “prontos”, o Espírito virá. Ele age como quer, e não segundo a nossa vontade e nossos esquemas. Pense: e se Ananias tivesse esperado que São Paulo ficasse “bonzinho” para orar por ele? Talvez não teríamos o grande São Paulo. O carisma é movimento: quem é do Espírito é como o vento — não se sabe de onde vem nem para onde vai.
Pense nisso e seja um propagador da efusão do Espírito Santo!
Deus o abençoe!
Bibliografia
Raniero Cantalamessa – Il Battesimo nello Spirito: grazia, carisma e missione
Paolo Maino – Il postmoderno nella Chiesa? Il Rinnovamento Carismatico
Kilian McDonnell; George T. Montague – Iniziazione cristiana e battesimo nello Spirito Santo
Carta Encíclica Divinum Illud Munus – Papa Leão XIII sobre a presença e a virtude admirável do Espírito Santo
Audiência do Papa Paulo VI – Vaticano, novembro de 1972


