Relembrando a Dedicação do Santuário do Pai das Misericórdias

Santuário do Pai das Misericórdias quer acolher todas as pessoas que estão à procura da misericórdia de Deus

Kelen Galvan
Cobertura

dedicacao_santuario1A Dedicação Solene do Santuário do Pai das Misericórdias reuniu milhares de peregrinos na sede da Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP), na sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014.

As filas para tentar um lugar dentro da Igreja começaram logo pela manhã, mas como o espaço comporta pouco mais de cinco mil pessoas, grande parte dos peregrinos acompanharam a Celebração por um telão instalado no Centro de Evangelização, nas proximidades do Santuário.

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A cerimônia foi presidida pelo Bispo da Diocese de Lorena (SP), a qual pertence a Canção Nova, Dom João Inácio Muller, e concelebrada por vários bispos, entre os quais o Bispo emérito de Lorena (SP), Dom Benedito Beni dos Santos, o Bispo emérito de Taubaté (SP), Dom Antônio Afonso de Miranda – muito presente na história da Comunidade – e o Bispo Emérito de Leiria–Fátima/Portugal, Dom Serafim Sousa Ferreira e Silva.

Centenas de padres também participaram da Santa Missa, com destaque para a presença do fundador da Comunidade Canção Nova, monsenhor Jonas Abib, e do vice-Custódio da Terra Santa, Frei Dobromir Jasztal, O.F.M.

Logo no início da Celebração, o Chanceler do Episcopado de Lorena, monsenhor João Bosco, leu o Decreto Oficial que institui o Santuário Diocesano Pai das Misericórdias.

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Em seguida, um livro e um pendrive com o nome de todos os que contribuíram para a construção da nova igreja foram entregues ao bispo Dom João, que repassou às mãos de monsenhor Jonas Abib.

A sagração do Santuário foi marcada por três momentos: a aspersão da água benta sobre o Altar e as paredes da nova igreja em sinal de consagração a Deus, a unção do Altar e das paredes com o óleo do Crisma e, por último, todo o local foi incensado, um gesto de reverência e oração.

A homilia foi dirigida por Dom Beni, que acompanhou o projeto de construção do santuário desde o início. Ele refletiu sobre três aspectos: o que é um Santuário, sua missão evangelizadora e o Santuário do Pai das Misericórdias.

Dom Beni destacou que Santuário designa a comunidade cristã reunida, que é o edifício espiritual onde Deus habita, mas também designa o edifício material. “Deus está presente em todas as partes, mas de modo muito especial naquele espaço a Ele dedicado”, explicou.

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O bispo lembrou um segundo aspecto do Santuário que é sua missão evangelizadora. Segundo ele, uma das tarefas deste local é o anúncio diligente da Palavra de Deus, explicado na primeira leitura da Missa de hoje (cf. Ne 8,2-4a.5-6.8-10)

“A assembleia do povo de israel está reunida e Esdras proclama a Palavra de Deus e faz sua homilia, a aplica à vida do povo. E o povo chora, não de tristeza, mas de alegria, porque percebe que através da Palavra, Deus tornar-se presente em seu meio, através da Palavra, Deus age na sua história, em seus corações”, explica Dom Beni, que complementou: “que este Santuário seja lugar do anúncio diligente da Palavra de Deus, feita com parresia, compaixão e audácia”.

Dom João incensa o Altar após ungi-lo com o óleo do Crisma / Foto: Canção Nova

Dom João incensa o Altar após ungi-lo com o óleo do Crisma / Foto: Canção Nova

Ele enfatizou ainda outras duas tarefas do Santuário, que é o incentivo à vida litúrgica e o incentivo à piedade popular.

Sobre o primeiro ponto, Dom Beni disse que esse lugar precisa ser um espaço para a Celebração da Eucaristia, mas de modo especial do sacramento da penitência. “O Papa João Paulo II chamou o sacramento de penitência de sacramento da misericórdia divina. Por isso mesmo, a Igreja pede que em cada Santuário exista uma equipe constante de sacerdotes para ouvir as confissões”.

Quanto ao outro ponto, o bispo lembrou que o Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, insiste sobre a piedade popular como instrumento privilegiado de evangelizacão, afirmando que ela inclui uma relação da pessoa com Deus, com Maria, com os santos de forma muito concreta. “Que essas palavras do número 88 do documento fiquem grudadas nas paredes desse Santuário”.

E sobre o Santuário do Pai das Misericórdias, Dom Beni ressaltou que a palavra misericórdia em suas raízes bíblicas, já no Antigo Testamento, designa o amor semelhante ao da mãe, ou seja, voltado ao acolhimento e promoção da vida. “Deus nos ama com misericórdia, com ternura de um amor de mãe”.

O bispo destacou ainda que misericórdia significa amor deliberado. “Um amor que tem origem na vontade, que não se envergonha da carne do próximo, ainda que ela esteja enfraquecida pela doença, manchada pelo pecado”.

Fundador da Comunidade Canção Nova, monsenhor Jonas Abib / Foto: Canção Nova

Fundador da Comunidade Canção Nova, monsenhor Jonas Abib / Foto: Canção Nova

“Estou vendo que este Santuário possui muitas portas para que aqui entrem as pessoas que estão à procura da misericórdia de Deus (…) Que todas as pessoas que aqui entrarem, sobretudo os pobres, os sofredores, os doentes e os pecados, possam sentir o calor do abraço de Deus, o Pai das Misericórdias”, concluiu Dom Beni.

Após a celebração, o Santíssimo Sacramento foi levado até a Capela São João Paulo II, onde ficará exposto para adoração perpétua. No local está guardado a relíquia com uma gota do sangue de João Paulo II.

Em seguida, o fundador e os cofundadores da Comunidade Canção Nova fizeram seus agradecimentos. Monsenhor Jonas agradeceu a Dom João Inácio pela presença e por ter “consagrado” o Santuário e afirmou: “Nós queremos fazer desta igreja um templo ungido do Senhor, por causa de um povo que precisa muito”.

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Ele lembrou ainda das muitas pessoas que “deram sangue” na construção do Santuário, pedreiros como seu pai e outros tantos, e contou que vários deles disseram que construindo esse lugar também foram construídos enquanto pessoa ou no seu casamento e família. Por fim, agradeceu a cada um dos bispos presentes.

O Diretor Executivo da FJPII, Wellington Silva Jardim (Eto), um dos cofundadores da Canção Nova, agradeceu de forma especial a todos os que ajudaram e rezaram para a concretização do Santuário.

Por sua vez, Luzia Santiago agradeceu especialmente ao monsenhor Jonas Abib, pois a Canção Nova nasceu a partir do chamado feito por ele aos jovens, em 1977, para darem um ano de sua vida em comunidade. “Cada coisa que hoje temos, vivemos, que realizamos na nossa missão veio do seu coração. Veio do seu coração a Rádio, veio outras formas de evangelizar, como a televisão, a internet, e também o senhor falava para nós desse templo”.

Após a Missa, fogos de artifício iluminaram o céu da Chácara da Canção Nova, para celebrar junto aos peregrinos a Dedicação deste novo Santuário da Igreja Católica.