REFLEXÃO

Entre a vida e a morte: a escolha que define sua Quaresma

A Quaresma é um tempo de decisão espiritual. Em Dt 30,15-20, Deus coloca, diante do seu povo, duas opções claras: a vida e a morte. Escolher a vida significa amar a Deus, obedecer à Sua voz e assumir a cruz com Cristo (Lc 9,22-25). Essa é a escolha que define nossa caminhada quaresmal.

Entre a Vida e a Morte: A escolha que define sua Quaresma - Jovem com a mão levantanda ao alto céu com nuvens

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Quaresma: Tempo de escolhas que conduzem à vida

Iniciamos o tempo da Quaresma, este período forte da Igreja que nos convida à conversão, à penitência e a uma revisão sincera da nossa vida. Entre as leituras propostas para este tempo, encontramos um texto profundamente atual no livro do Deuteronômio (Dt 30,15-20), que nos fala sobre as escolhas que somos chamados a fazer.

A nossa vida é feita de decisões. A todo momento, precisamos escolher: às vezes, são decisões grandes e determinantes; outras vezes, escolhas simples e aparentemente pequenas. No entanto, nunca podemos esquecer que toda decisão traz consigo consequências e, depois de escolher, somos chamados a assumir aquilo que decidimos.

A Quaresma, portanto, é um tempo privilegiado para refletirmos sobre as escolhas que temos feito e sobre o rumo que estamos dando à nossa vida.

Dt 30,15-20: a vida e a morte diante de nós

No texto de Dt 30,15-20, Moisés coloca diante do povo duas realidades muito claras: “a vida e a morte, a bênção e a maldição”. Mais do que apresentar as opções, ele explica as consequências de cada escolha. Não há ambiguidade. Não há confusão. O caminho está claramente indicado.

Diante de nós, sempre estarão o bem e o mal. Podemos escolher. Deus nos criou livres. Porém, essa liberdade exige responsabilidade. Não podemos ser ingênuos a ponto de afirmar que não sabíamos das consequências de determinadas decisões.

Muitas vezes sabemos, sim, aonde certos caminhos nos levarão, mas insistimos em percorrê-los. O autor sagrado é direto: escolher a vida significa amar o Senhor, obedecer a sua voz e permanecer fiel aos seus mandamentos. Escolher a morte é afastar-se de Deus e seguir por caminhos contrários à sua vontade.

Aqui é preciso um grande cuidado: nem sempre as nossas vontades coincidem com aquilo que é verdadeiramente bom para nós. Seguir apenas os próprios impulsos pode nos transformar em escravos de nós mesmos. E quem vive na escravidão não experimenta a verdadeira felicidade.

A verdadeira felicidade está em Deus

A felicidade autêntica está em Deus. Ela é fruto de uma vida que escolhe confiar no Senhor. Como nos recorda o Salmo 1: “É feliz quem a Deus se confia” (cf. Sl 1).

A verdadeira alegria nasce quando escolhemos Deus, quando optamos por Sua vontade, mesmo que isso implique renúncia e sacrifício. O mais impressionante no texto do Deuteronômio é que, além de apresentar as duas opções e suas consequências, o autor aconselha: “Escolhe, pois, a vida”.

Ele nos orienta, nos ilumina e nos chama à responsabilidade. Não podemos viver dizendo: “Eu não sabia aonde minhas decisões me levariam”. Somos convidados a decidir com consciência.

Lucas 9,22-25: Tomar a Cruz e seguir Jesus

No Evangelho segundo Lucas (9,22-25), Jesus aprofunda ainda mais essa realidade. Ele anuncia Sua Paixão e, em seguida, apresenta uma exigência clara: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me”.

Seguir Jesus é uma escolha. É uma decisão que implica renúncia, desapego e conversão constante. É um caminho belíssimo, mas passa necessariamente pela cruz. Trata-se de morrer para si mesmo, para as próprias vontades desordenadas, a fim de ressuscitar para uma vida nova.

Entre a Vida e a Morte: A escolha que define sua Quaresma - Jovem aponta para o céu iluminado ao fundo com o sol

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Quaresma: tempo de decisão e conversão

A Quaresma é justamente esse tempo de decisão. Tempo de perguntar a si mesmo: o que precisa morrer em mim? Qual apego, qual pecado, qual atitude precisa ser deixada para que eu possa seguir verdadeiramente a Cristo?

Lembremo-nos sempre: só há um caminho que conduz à vida, e esse caminho passa pela cruz, passa pela renúncia da minha vontade para acolher a vontade de Deus.

A Quaresma não é apenas um período litúrgico; é um apelo concreto à escolha. A Palavra de Deus nos ensina que, até o fim, seremos colocados diante da vida e da morte, da bênção e da maldição. Ela nos mostra as consequências e nos convida a escolher a vida.

Hoje é dia de decidir por Jesus. É tempo de escolher a cruz, não como sinal de derrota, mas como caminho de salvação. É tempo de renunciar ao que nos afasta de Deus e abraçar aquilo que nos conduz à verdadeira felicidade.

Que não sejamos teimosos em optar por aquilo que nos leva por caminhos de morte. Escolhamos, com responsabilidade e consciência, aquilo que gera vida. Porque, no fim, só é verdadeiramente feliz aquele que escolhe confiar em Deus.

Deus abençoe e ilumine suas escolhas nesta Quaresma e em todos os tempos da sua vida.