ANO JUBILAR FRANCISCANO

Semana Santa com São Francisco de Assis: como viver o mistério Pascal

Neste ano, a Igreja celebra o Ano Jubilar Franciscano. Certamente, boa parte de nós já ouviu falar sobre o legado de São Francisco de Assis ou conhece, pelo menos, um pouco da história. Mas como podemos viver bem este ano jubilar e, de modo especial, a Semana Santa que se aproxima? Uma boa maneira é observar a vida e os ensinamentos deste santo tão querido.

Semana Santa com São Francisco de Assis: como viver o mistério Pascal

Fonte: Imagem autoral criada com Inteligência Artificial para este artigo.

Afinal de contas, quem foi São Francisco de Assis?

São Francisco nasceu em Assis, na Itália, entre os anos de 1181 e 1182. Seus pais eram Madonna Pica e Pietro di Bernardone, um rico comerciante de tecidos. Cresceu em uma família abastada, em meio a privilégios e luxos.

Em sua juventude, buscava riquezas e um título de nobreza. Teve uma mocidade mundana e, após viver momentos de crise, prisões e doenças, foi visitado por visões místicas que o levaram a um grande confronto interior. Por fim, tomou a decisão radical de renunciar às riquezas da família e a tudo o que o mundo poderia lhe oferecer, voltando-se principalmente para o amor ao próximo, em especial os pobres e leprosos.

Dedicou-se à reforma de pequenas capelas e, por fim, a pregar, em palavras simples, o Evangelho de Cristo. Vivendo uma vida simples, também se tornou conhecido pelo seu amor pela criação, a natureza. Para ele, a criação era o reflexo fiel da bondade e beleza de Deus – chamava as criaturas de “irmãos” e “irmãs”.

Francisco morreu para o mundo, sabendo que, nesta vida, somos apenas peregrinos e estrangeiros, e que devemos nos desprender dos bens terrenos. Conta-se que Francisco dizia aos irmãos que reclamavam das necessidades e da falta de conforto:

“Não suportar as privações com paciência, meu filho, é voltar às cebolas do Egito”.

Fazendo assim uma alusão à peregrinação do povo de Israel à Terra Prometida. Eram peregrinos, viajantes, libertos pelo sangue do cordeiro, buscavam a direção de sua pátria. Assim também nós somos peregrinos nesta terra, livres pelo sangue de Cristo, trilhando o caminho para a pátria celeste.

A espiritualidade franciscana na Semana Santa

A vida de São Francisco de Assis foi uma Quaresma, à espera da Páscoa, da ressurreição. Para ele, celebrar a Páscoa não era simplesmente celebrar uma festa, mas responder a um apelo contínuo de conversão e de confiança na providência de Deus.

Francisco ensinava que a Semana Santa não deveria ser vivenciada com espírito de luto pelos sofrimentos de Jesus; muito pelo contrário, deveria ser vista como um tempo de renovação da esperança, um tempo de verdadeira transformação interior. Ele viveu na radicalidade o mistério pascal.

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Quinta-feira Santa: o serviço e a humildade

É possível contemplar, em sua vida, a Quinta-feira Santa, a ceia do serviço, onde Jesus lavou os pés dos discípulos:

“Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. Se compreenderdes essas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes” (Jo 13, 15.17).

São Francisco de Assis compreendeu bem que a felicidade está no servir e no colocar-se em último lugar. A existência humana tem um sentido provisório, e para ganhar os tesouros celestes é necessário desapegar-se dos tesouros passageiros da Terra. Sua regra de vida era o Evangelho.

Sexta-feira Santa: a união com a cruz

Ele também foi o homem da Sexta-feira Santa, o dia da Paixão. Amou tanto a Jesus Cristo, que quis unir-se ao seu Amado. Morrendo para o mundo, colocou-se, durante a vida, na condição de servo e quis reviver, em sua carne, a paixão e morte de Jesus.

São Francisco de Assis recebeu a graça de unir-se às dores da Paixão de forma ainda mais profunda, sendo o primeiro caso documentado na história da Igreja dos estigmas, as marcas das chagas de Jesus Cristo crucificado em seu corpo.

A alegria da ressurreição

A experiência desse sofrimento físico não diminuiu seu ardor nem sua fé. Muito pelo contrário, ele vivia na plenitude a perfeita alegria, que consiste em conservar a paz, independentemente dos sofrimentos à sua volta.

Ele exortava a todos a viver o desapego e buscar possuir um coração pobre para celebrar a ressurreição de Cristo como um modo de viver, conduzido pela alegria, paz e esperança.

Para ele, a ressurreição era o sinal de que a cruz e a morte nunca terão a última palavra. A última palavra é de vida: o Senhor é capaz de transformar toda dor e morte em vida nova.

O que São Francisco de Assis ensina para nós hoje?

São Francisco foi a resposta para a sociedade do seu tempo, que vivia um relaxamento dos bons costumes e do fervor religioso. Foi exemplo de santidade e perfeição cristã.

Hoje, mais do que nunca, seus ensinamentos podem nos ajudar a ser melhores cristãos. Em meio a uma sociedade doente e hipócrita, de caridade cristã enfraquecida.

A ignorância, o egoísmo e a violência social fazem parte do cotidiano, mas somos chamados, de acordo com nossas possibilidades, a imitar este santo. Animados por este Ano de São Francisco de Assis.

Como viver o Ano Jubilar Franciscano?

O Papa Leão XIV proclamou um Ano especial de São Francisco de Assis, no qual todo fiel cristão, à semelhança do Santo de Assis, torne-se modelo de santidade de vida e testemunha constante de paz, concedendo a indulgência plenária nas condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre), aplicável também em forma de sufrágio pelas almas do Purgatório:

  1. Aos membros:
  • da Família Franciscana da Primeira, da Segunda e da Terceira Ordem Regular e Secular;
  • dos Institutos de vida consagrada, das Sociedades de vida apostólica e das Associações públicas ou privadas de fiéis, masculinas e femininas, que observam a Regra de São Francisco ou que sejam inspiradas na sua espiritualidade ou que, de qualquer forma, perpetuem o carisma;
  1. a todos os fiéis indistintamente:

    Que, com o ânimo desapegado do pecado, participarão do Ano de São Francisco de Assis visitando, em forma de peregrinação, qualquer igreja conventual franciscana, ou lugar de culto em qualquer parte do mundo dedicado a São Francisco ou a ele ligado por qualquer motivo, e ali participarem devotamente dos ritos jubilares ou permanecerem por, ao menos, um período de tempo adequado em piedosas meditações, elevando a Deus orações para que, a exemplo de São Francisco, brotem, nos corações, sentimentos de caridade cristã para com o próximo e autênticos desejos de concórdia e de paz entre os povos, concluindo com o Pai-Nosso, o Credo e invocações a Bem-Aventurada Virgem Maria, a São Francisco de Assis, a Santa Clara e a todos os Santos da Família Franciscana.