VIDAS QUE SE OFERTAM

Sacerdote: vítima voluntária que se entrega por amor

“Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16).

Vocação significa chamar. Jesus Cristo chama cada um de nós para fazer comunhão com Ele.

Pela graça somos vocacionados ao amor de Deus. Existem aqueles que Deus chama e faz participar do seu amor através do Seu sacerdócio. Os sacerdotes são esses homens chamados a agir “in persona Christi”, são instituídos em favor dos homens e da Igreja.

O Catecismo da Igreja Católica expressa que

“pela ordenação, a pessoa se habilita a agir como representante de Cristo, Cabeça da Igreja, em sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei” (n. 1581). Seguindo a reflexão do venerável Fulton Sheen, no seu livro “O sacerdote não se pertence”, existe mais uma função do sacerdote: ser vítima.

O sacerdote não se pertence. Jesus Cristo jamais ofereceu algo que não fosse Ele mesmo. “Ele se ofereceu a Deus por nós, como um Sacrifício de odor suave”. (Ef 5,2). Assim, seguindo o Mestre, o sacerdote assume a condição de vítima voluntária.

Se no Antigo Testamento e nas religiões pagãs, o sacerdote e a vítima eram distintos e separados, em Jesus Cristo não há mais separação, estão unidos. Ele se ofereceu por nossos pecados.

A condição de vítima do Sumo Sacerdote não é uma tragédia, porque ele não se submeteu à morte como os cordeiros. Jesus disse: “Ninguém tira a vida de mim, mas eu a dou livremente. Tenho o poder de entregá-la e poder de retomá-la; esse é o mandamento que recebi do meu Pai” (Jo 10, 18). Na cruz, Ele se doou totalmente.

Todo padre é uma vítima voluntária. Oferece o repouso do seu corpo, para que outros possam ter paz na alma, a pureza, para compensar os excessos da carne cometidos pelos pecadores. Na exaustão do ministério sacerdotal, no ensino e na conversão, o padre se torna um “sacrifício vivo”. Oferece toda sua vida a Deus pelo povo, assim como o Cordeiro Imolado.

Foto: Bruno Marques/cancaonova.com

No Evangelho nos deparamos com a passagem em que Jesus pergunta a Pedro três vezes se ele o amava e depois lhe confere a missão de apascentar Suas ovelhas. A realização do sacerdote está também nesse pastoreio diário: na visita aos enfermos, no atendimento das confissões, na administração dos sacramentos. Ali o sacerdote adquire o cheiro de ovelha, como diria Papa Francisco. Na vida pastoral o padre cumpre esse mandamento de Cristo: de pastorear, acompanhar e tutelar Seu rebanho.

A liderança do sacerdote-vítima gera uma Igreja santa. O que os sacerdotes são na Igreja, assim também serão os fiéis. Se cada sacerdote mundano trava o crescimento da Igreja, cada santo sacerdote a eleva. Assim como a multidão recebeu o pão em Cafarnaum, por intermédio dos discípulos, assim também os fiéis recebem a santificação de Cristo mediante a santificação do padre.

Ao ver atingida essa meta, Nosso Senhor exclamou: “Está consumado!” (Jo 19,30). Os cordeiros que derramaram seu sangue para expiação dos pecados já não eram necessários. O Cordeiro de Deus imola-se a si mesmo. Todo sacerdote opera um ato semelhante de auto-sacrifício e então passa seus frutos a todo o povo: “Fazei isso em memória de mim”. (Lc 22, 29).

É desafiante ser padre numa sociedade hedonista, materialista e oposta aos valores cristãos. Mas o chamado de Jesus continua o mesmo: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me.” (Lc 9,23).

Interessante é que na Santa Missa a consagração precede a comunhão. No Ofertório, o sacerdote é como um cordeiro levado ao matadouro. Na Consagração, ele é o cordeiro morto como vítima sacrificial. Na comunhão, descobre que não morreu de modo algum. Pelo contrário, veio realmente à vida abundante que é a união com Cristo. Nesta união, o padre encontra sua felicidade e o amor de Deus que o chamou.

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Ricardo Cordeiro
Seminarista Comunidade Canção Nova

 

 

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