Santuário recebe a visita do Frei Francesco Patton, Custódio da Terra Santa

Neste dia 29 de janeiro de 2018, o Santuário do Pai das Misericórdias recebeu a visita de Frei Francesco Patton, Custódio da Terra Santa, juntamente com Frei Bruno e Frei Marcelo. Frei Patton presidiu a santa missa, às 7h, transmitida pelo Sistema Canção Nova de Comunicação.

Frei Francesco Patton preside Santa Missa no Santuário do Pai das Misericórdias./ Fonte: cancaonova.com

Na sua homilia fez a seguinte reflexão:

“Reverendíssimo Monsenhor Jonas Abib, queridos Eto e Luzia Santiago, cofundadores da Comunidade Canção Nova, Padre Marcio vice-reitor do Santuário, peregrinos aqui presentes e demais missionários da Canção Nova e ainda todos os telespectadores que nos acompanham pela TVCN, queridos irmãos e irmãs, o Senhor vos dê a sua paz.

Gostaria de iniciar esta reflexão invocando ao Senhor Jesus Cristo o dom da mesma paz que ele doou aos seus discípulos no santo cenáculo em Jerusalém. Creio que nunca, como hoje, necessitamos desta saudação e que este desejo de paz se realize e acredito também que não somente nas terras do médio oriente há essa necessidade de que o sonho de paz do Senhor se realize, mas sim em todo o mundo. Por isso desejamos a paz a esta bela nação brasileira.

Para mim é uma experiência significativa poder celebrar a santa eucaristia em terras brasileiras, especialmente aqui em Cachoeira Paulista, sede da Comunidade Canção Nova, neste Santuário do Pai das Misericórdias. Aproveite para agradecer ao Monsenhor Jonas Abib e seu Conselho pela parceria com a custódia da Terra Santa em levar a mensagem do Evangelho.

Hoje as nossas celebrações, em especial das Basílicas da Anunciação e de Nazaré, chegam a quatro continentes, como ainda as notícias e as realidades da Terra Santa. É a graça da Palavra que se fez carne e nos coloca em relação com o Pai. A Canção Nova realiza na Terra Santa a genuinidade e a autenticidade do seu Carisma: levar o Evangelho, a Boa Nova, o amor do Pai para todo o mundo. É ainda uma grande alegria para mim, como Custódio da Terra Santa poder visitar esta abençoada nação brasileira, esta terra de Santa Cruz, nação consagrada a Virgem Aparecida, após a celebração dos trezentos anos da aparição da imagem milagrosa.

Penso que seja importante recordar que o sonho de Deus, que é o sonho da paz, se realiza quando há um profundo movimento de conversão, isto é, de mudança de mentalidade e de vida da nossa parte. A mensagem de igualdade da Virgem Mãe Aparecida  foi fundamental para aquele momento da história do Brasil e continua sendo para nossos dias.

A Palavra de Deus que nos leva ao encontro providencialmente nesta segunda-feira, na narração do evangelista São Marcos é a libertação daquele homem possuído pelo demônio, na região dos gerasenos do  Mar da Galileia. Esta Palavra nos leva a refletir no modo em que nós vivemos nossas vidas e qual lugar nós damos as coisas materiais. Neste Evangelho encontramos por três vezes o verbo suplicar, usado no dirigir-se a Jesus.
Primeiro os demônios suplicavam para não serem expulsos daquela região;  depois os habitantes da região que pediam que Jesus deixasse a região, porque não queriam ter prejuízos econômicos. Preferiam a mínima segurança econômica perdendo assim a presença libertadora de Jesus de Nazaré. O que mais impressiona é a indiferença desses habitantes frente ao bem que recebeu aquele homem curado. E ainda a súplica daquele homem libertado que pede a Jesus para segui-Lo. Jesus não aceita e o manda missionário na sua própria casa, porque nem todos que encontramos Cristo temos a mesma vocação, mas todos devemos anunciar a misericórdia do Senhor.

O homem possuído pelo Maligno é a imagem do homem que não é livre e é interiormente dividido. Nos leva a refletir como Jesus se opõe ao mal no homem e sobre como ele doa a sua liberdade sobre tudo aquilo que sufoca a humanidade por Ele amada, porque Ele se fez carne, e se doou por nós na cruz, por amor, para a nossa reconciliação.

Concluindo ainda esta reflexão, gostaria de ressaltar que para mim é significativo visitar o Brasil na ocasião da celebração dos nossos oitocentos anos de presença franciscana na Terra Santa de Jesus. Há oitocentos anos atrás, no capítulo de Pentecostes realizado em Santa Maria dos Anjos, na Porciúncula em Assis, a nossa Ordem foi aberta para dimensão universal. Naquela ocasião decidiu-se enviar frades pelo mundo inteiro como testemunhas de fraternidade e de paz. Em 1219, o próprio São Francisco foi como missionário à Terra Santa. O seráfico pai São Francisco nos deixou uma metodologia missionária de diálogo e convivência com os muçulmanos.

Nossos frades franciscanos continuam com a  sua presença na Síria, mesmo na difícil circunstância onde os cristãos que ali vivem perdem todos os dias as próprias casas, a segurança, muitas vezes o mínimo necessário para viverem com dignidade, mas não perdem a fé.

Finalmente peço a todos vocês, irmãos e irmãs, que rezem pela nossa missão da Terra Santa, afim de que o Senhor da messe possa suscitar vocações para a vida missionária. Rogamos a Virgem Aparecida que interceda por nós para que sejamos fiéis missionários da misericórdia do Pai.”

.:Assista a homilia.

.:Confira a liturgia do dia.

Pai das Misericórdias e Deus de toda consolação, ouvi-nos!