Ressurreição

A vida que brota do lado aberto de Cristo

Você tem consciência da grandeza daquilo que Deus fez pela humanidade?

Você entende o que foi que Jesus conseguiu para nós com o sacrifício de si mesmo?

Nas celebrações que se sucederam na última semana, pudemos celebrar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Na quinta-feira, celebramos, com júbilo, a instituição da Eucaristia e do sacerdócio; na sexta-feira, choramos a morte de Nosso Senhor, que foi crucificado; na noite de sábado, celebramos a Ressurreição de Jesus, que ressurgiu glorioso das trevas da morte, abandonando o sepulcro e libertando-nos da escravidão do pecado.

Na sexta-feira, após ter sido massacrado, humilhado e se tornar uma chaga viva, a tal ponto de não ser mais reconhecido como homem, Jesus foi erguido na Cruz. No meio de duas outras cruzes, estava pregado o Deus vivo, o grande “Eu sou”. Em um ato de extrema maldade dos homens, mas de infinito amor de Deus, era levantado o madeiro da Cruz, no qual estava pendurada a Salvação do mundo! Morria, de forma cruel, Aquele que é o Príncipe da Paz!

cristo ressuscitado

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Os discípulos, que ainda não haviam entendido que Jesus ressuscitaria no terceiro dia, debandaram-se desesperados, amedrontados, temendo que tivessem o mesmo fim que o seu Mestre.

:: Sacramento da Unção dos Enfermos

Que sofrimento terrível! Que vazio tomou conta de todos aqueles que tinham convivido com Jesus no dia posterior a Sua morte, o sábado! Não era apenas um amigo que tinha sido brutalmente assassinado, não era apenas um filho, era a aparente morte das promessas que Deus havia feito ao povo de Israel, a qual, em Cristo, para muitos, pareciam estar se cumprindo.

Sábado Santo

Aquilo que se tornava sensível no Sábado Santo – o silêncio, a dor e o vazio – era o estado da humanidade desde a queda de Adão e Eva no pecado: “Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a Terra. Um grande silêncio e uma grande solidão.” (De uma antiga homilia sobre o Sábado Santo)

:: Com o Ressuscitado, tudo é diferente

Tal qual nas igrejas do mundo inteiro, nas quais, durante o dia de Sábado Santo, o sacrário está vazio, é possível imaginar que o dia posterior à morte de Cristo era um dia sem vida, um sábado carente de qualquer alegria ou motivo para continuar a existir. Entretanto, aquilo que se passava no mundo espiritual era a gloriosa vitória de Cristo que concedia, por meio de Sua morte, o convívio dos eleitos a todos aqueles que, antes de Sua morte, estavam sob o domínio da morte, “porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos” (De uma antiga homilia sobre o Sábado Santo).

Creio em Deus Pai

Rezamos, no Credo, que “Jesus desceu à mansão dos mortos”; e São João nos diz que Jesus veio para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). O que significa isso de forma bem clara?

A “Mansão dos Mortos” é o mesmo que Inferno, Sheol, Hades, é o local onde as almas são totalmente privadas da visão de Deus. Antes da morte de Cristo, estavam, neste “local” ou estado, todas as almas daqueles que, até aquele momento, haviam morrido e ali estavam presas sob o domínio do demônio.

O castigo que pesava sobre nós era o fato de que a ninguém era dada a visão de Deus antes da morte de Cristo. A morte tinha, de fato, a última palavra; e, ao morrer a nossa carne, morria também a nossa alma. Justos e injustos, bons e maus, todos estavam sob o domínio do demônio antes da morte de Cristo. De forma bem clara, presos nos infernos, estavam todos que morriam antes da morte de Jesus, santos e pecadores, todos eram “farinha do mesmo saco”.

“… A pena do pecado do homem não foi somente a morte do corpo, mas também uma punição na alma, porque o pecado era também da alma, e essa deveria ser punida pela privação da visão divina.

São Tomás de Aquino nos explica bem isso: “… A pena do pecado do homem não foi somente a morte do corpo, mas também uma punição na alma, porque o pecado era também da alma, e essa deveria ser punida pela privação da visão divina. Ora, antes da vinda de Cristo, não se tinha ainda apresentado uma satisfação para que essa privação fosse afastada. Por isso, antes do advento de Cristo, todos desciam aos infernos, até os Santos Patriarcas. Muitos que estavam nos infernos para lá desceram mesmo possuindo caridade e fé no Esperado, como Abraão, Isaac, Jacó, Davi e muitos outros homens justos e perfeitos”.

Após a morte de Cristo, Ele mesmo desceu até os infernos para resgatar os justos que ali estavam a esperar o Redentor, para que, finalmente, fossem levados para o Convívio dos Eleitos para contemplar a face de Deus.

Diz o Catecismo, no parágrafo 633: “Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados nem para abolir o inferno da condenação, mas para libertar os justos que O tinham precedido.”

O inferno

Jesus realiza um grande resgate, arrastando consigo, do inferno para o céu, uma grande multidão de almas dos justos que jaziam sob o domínio de satanás. Como uma equipe de resgate a retirar de um poço profundo uma pobre criança, Jesus retira as almas dos justos que presas estavam, dizendo a cada uma delas: “Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno, agora, que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.” (De uma antiga homilia sobre o Sábado Santo)

:: A Ressurreição é um fato histórico

O inferno continua a existir, assim como a possibilidade de condenação para aqueles que recusam Deus, mas, pelo sacrifício de Cristo, agora nos é dada a chance de viver aqui, nesta terra, em santidade, para que, ao fecharmos os nossos olhos com a morte do corpo, possamos abri-los na eternidade diante da face do próprio Deus. É concedida a cada um de nós a oportunidade de viver de tal forma, aqui na Terra, que nos seja dado com a morte a possibilidade de desfrutar de tudo aquilo que está preparado para nós no Reino dos Céus.

“Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens, e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”. (De uma antiga homilia sobre o Sábado Santo)

Kaique Duarte
Seminarista da Comunidade Canção Nova

Leia mais: 
:: Ouvir para ver
:: A figura de Maria no Sábado Santo
:: O que é o Sacramento da Eucaristia?

 

Deixe seu comentários

Comentário