LEI DE DEUS

Não levantar falso testemunho

A verdade tem prevalência

Você já foi acusado de algo que não fez? Ou falaram de você injustamente, sem que houvesse verdade naquilo que foi dito? São com esses questionamentos que iniciamos este breve artigo, em que falaremos sobre o oitavo mandamento, que conhecemos como “Não levantar falso testemunho”. Queridos leitores, são palavras do próprio Senhor quando lemos: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). Aqui percebemos a importância da verdade na vida de todo homem. A verdade deve ser uma constante nos nossos lábios.

Nós, cristãos, sabemos que essa verdade tem nome e se fez conhecida a todos nós. Mais uma vez podemos notar que o evangelista João retrata uma fala de Jesus identificando-Se como a Verdade: “Diz-lhe Jesus: ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão ser por mim’” (Jo 14,6). Além da verdade ser realidade importantíssima para a vida humana, para nós, cristãos, ela é uma questão de ingresso na vida eterna, ou seja, no céu. Ninguém chegará ao Pai, se não por Jesus; que é a Verdade.

A Verdade expressa nas Sagradas Escrituras

Muitas são as passagens que nos ajudam a entender a relevância de agirmos com a verdade. Notemos que, as Sagradas Escrituras são permeadas de textos que nos orientam: “O céu de minha boca murmura a Verdade, e meus lábios aborrecem o mal” (Pr 8,7). “Tua justiça é para sempre, e tua lei é a verdade” (Sl 119,142). “o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, […]” (Jo 14,17). “Seja o vosso ‘sim’, sim, e o vosso ‘não’, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mt 5,37). Essas e outros inúmeros textos jogam luzes na vida do cristão, a fim de orientar todo o nosso proceder.

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O oitavo mandamento é identificado no livro do Êxodo 20,16, que apresenta desta forma: “Não apresentarás um testemunho mentiroso contra o teu próximo”. Com isso, entendemos que: quando pecamos contra esse mandamento, estamos ofendendo diretamente o nosso semelhante, além disso ofendemos também a Deus. O cuidado com a vida do outro é indispensável. Contudo, a reputação e a dignidade dos nossos irmãos são diretamente maculadas quando não observamos este mandamento. Podem ser também prejudicada a família daquele que é caluniado, assim como seus amigos e os que com ele convivem. Muitas vidas são atingidas quando é cometido este pecado.

Agravos contra a Verdade

Muitas são as possibilidades de cometermos este pecado, muitas delas acontecem e, infelizmente, parecem ser normais na vida do cristão, contudo, precisa ser erradicada totalmente do nosso convívio. Vejamos algumas sinalizações que o Catecismo da Igreja Católica (CIC) nos apresenta.

Falso testemunho e perjúrio. Quando é afirmado algo contrário a verdade, incorre em pecado grave. Diante de um julgamento, falar mentiras torna-se perjúrio e pode levar um inocente a ser condenado. Ofendendo assim, a justiça e a equidade (CIC §2476). O respeito à reputação. Atitudes e palavras que podem causar prejuízo injusto e são culpados aqueles que fazem juízo temerário, maledicência e calúnia. Podem evitar o juízo temerário é necessário interpretar favoravelmente os pensamentos, palavras e as ações do próximo. Já a maledicência destrói a reputação e a honra do próximo (CIC §2477-2479).

A mentira. Ela pode ser medida a partir da natureza da verdade que fora deformada, as circunstâncias e a intenção daquele que a comete. A mentira é funesta para toda a sociedade; mina a confiança entre os homens e rompe o tecido das relações sociais. Toda a falta realizada contra a verdade, carece de reparação. Quando a reparação é impossível de ser feita publicamente, esta deve ser realizada em segredo. Muitas vezes a reparação é moral e outras pode ser material (CIC §2484).

Por fim, podemos perceber que todos temos direito à verdade, e essa realidade implica em direito e obrigação. Assim, ficamos impelidos a agir com a verdade a todo momento, evitando assim a queda contra o oitavo mandamento e com isso, romper a amizade com Deus. Além de tudo, o que vimos aqui, preciso ainda lembrar que cada um deve viver o amor fraterno, sendo assim, cada um deve avaliar se é conveniente ou não revelar a verdade aquele que a pede (CIC §2488).

Com isso, caro leitor, guardemos em nossos corações as palavras do apóstolo Paulo que devem reger toda a nossa vida e nossas relações, tanto com os irmãos, quanto com Cristo: “e revestir-vos do Homem Novo, criado a segundo Deus, na justiça e santidade da verdade. Por isso abandonai a mentira e falai a verdade cada um ao seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef 4,24-25).

Fábio Nunes 
Seminarista da Comunidade Canção Nova 

Fontes:

BÍBLIA. Português. Tradução da Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002. 2206p.
CATECISMO da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.